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Nada
melhor que o testemunho do fundador e primeiro pároco ,
para narrar em detalhes o nascimento desta Paróquia.
Reproduzimos
este depoimento na íntegra, com pequenos ajustes que o
tempo se encarregou de determinar.
"A
Igreja de São Pedro e São Paulo foi inaugurada solenemente por
S. Emcia. O Arcebispo de São Paulo, Cardeal Dom Paulo Evaristo
Arns, assistido por inúmeros sacerdotes, em 19 de Dezembro de
1976.
Nos
primórdios da abertura deste bairro residencial, na década de
50, quando São Paulo começou a estender-se para além do Rio Pinheiros,
em direção às colinas do Morumbi, o Sr. Werner Sack, já falecido,
fez cessão de um terreno para que nele fosse construída uma capela,
dedicada a São Pedro e São Paulo e que servisse a um Colégio de
crianças, por ele edificado e mantido, e aos moradores de então.
Essa
capelinha, toda de madeira, no estilo dos chalés alpinos, entre
árvores e flores, constituiu-se num toque europeu em meio à flora
tropical, um dos últimos e miraculosos remanescentes da fisionomia
bucólica da pacata Cidade do século XVIII.
O
lento crescimento do bairro fez com que fosse, pouco a pouco,
abandonada. A pouca gente de quem era conhecida procurava-a como
a um pequeno oásis de paz e recolhimento. Em 1965, passando, por
acaso, por aqueles lados, o então Arcebispo de São Paulo, Cardeal
Agnelo Rossi, decidiu reabri-la ao culto, confiando-a aos cuidados
do Revmo. Padre José Griecco.
No dia 19 de março de 1976, festa de São José, foi criada, por
Decreto Arquiepiscopal, a Paróquia de São Pedro e São Paulo, de
Cidade Jardim, e o Padre José Griecco nomeado seu 1º Pároco.
Às
12 horas do dia 25 de abril, domingo da Páscoa, o Cardeal Rossi,
com missa solene, instalou-a e empossou o seu Pároco. Mas, a essa
altura, o bairro já contava com algumas centenas de habitantes,
e o Cardeal determinou ao Padre José a escolha de um terreno,
onde fosse construída uma nova Igreja que pudesse acolher o crescente
número de fiéis da Paróquia.
A
incumbência não era fácil. Praticamente, já não havia terrenos
disponíveis nas dimensões exigidas e a compra de mais de um, caso
existissem em localização conveniente, se constituiria num pesado
ônus e adiaria, por muito tempo, o início das obras. Era, então,
Prefeito de São Paulo, o Brigadeiro José Vicente de Faria Lima.
O
Cardeal Rossi consultou-o sobre a possibilidade da cessão, em
comodato, à Mitra Diocesana, de algum terreno da Prefeitura, porventura
disponível naquela área. Como as obras Av. 23 de maio e outras
iriam exigir a demolição de algumas Igrejas, talvez fosse viável
o estudo de uma permuta de terrenos. Foi sugerida ao Brigadeiro
a cessão de uma área no Bosque do Morumbi, na confluência das
Avenidas Amarílis e Circular do Bosque, nas proximidades do Jockey
Clube de São Paulo: a edificação em nada prejudicaria o local,
pois não haveria destruição de árvores e já estava assentado que
o edifício seria uma obra de arte, destinado a transformar-se
numa espécie de entrada monumental, conferindo, ao mesmo tempo,
dignidade à bela reserva que recobre de verde a colina.
O
Brigadeiro acolheu a solicitação com a maior boa vontade e determinou
imediatas providências para o seu atendimento. O ato legislativo,
que concretizou a cessão foi promulgado a 31 de outubro de 1967.
No
dia 5 de dezembro, 1º domingo do Advento, S. Emcia. O Cardeal
Rossi celebrou a Missa na Capela de São Pedro e São Paulo, na
presença do Prefeito Faria Lima e, publicamente, lhe agradeceu,
pela Arquidiocese e pelos Paroquianos, a generosa compreensão.
Em 10 de dezembro de 1967, foi constituída a Comissão de Obras,
composta das seguintes pessoas: Sr. E Sra. Dr. Ermelino Matarazzo;
Sr. E Sra. Júlio Giorgi; Sr. E Sra. Dr. Antonio de Pádua Rocha
Diniz; Sr. E Sra. Dr. Antonio Ermírio de Moraes; Sr. E Sra. Ricardo
Vidigal; Sr. E Sra. Dr. Maury Freitas Julião; Sr. e Sra. Osvaldo
Breyne da Silveira; Sr. e Sra. Dr. Olavo Xavier; Sr. e Sra. Dr.
Manuel Garcia Filho; Sr. e Sra. Dr. Maurício Ferraz; Sr. e Sra.
Dr. Roberto Maluf; Sr. e Sra. Dr. Olacyr de Moraes; Sr. e Sra.
José Hilário Samarone; Sr. e Sra. Domingos Forte; Sr. e Sra. Dr.
Antonio Aloysio Salvador; Sr. e Sra. Renato Morganti; Sr. e Sra.
Dr. Sérgio Ugolini; Sr. e Sra. Nicolau Lunardelli e Sr. e Sra.
Oscar Americano.
No
dia 22 de maio de 1968, a Comissão decidiu convidar o arquiteto
Oswaldo Arthur Bratke para a elaboração do projeto arquitetônico.
Decididas, em sucessivas reuniões, as linhas gerais do mesmo,
o Dr. Oswaldo Bratke recomendou à Comissão o nome de seu filho
Carlos Bratke. Este, em companhia do arquiteto Renato Lenci, apresentou
o Projeto, que foi aprovado no dia 22 de novembro do mesmo ano.
Decidiu-se, também, contratar a construtora Moraes Dantas para
a realização das obras de concreto. A partir da segunda metade
de 1969, começaram os movimentos para a arrecadação de fundos.
A pedra fundamental foi solenemente lançada, no dia 21 de dezembro
de 1969. Mas as obras, efetivamente, só tiveram início, em setembro
de 1970.
Já então, governava a Arquidiocese de São Paulo, o Arcebispo Dom
Paulo Evaristo Arns, que deu seu inteiro apoio à construção, encarecendo-lhe
a necessidade e, em duas visitas às obras, em 8 de março de 1971
e em 19 de janeiro de 1972, teve palavras de estímulo à Comissão
para que as mesmas não tivessem solução de continuidade.
No início de 1974, o casal Júlio e Edith Giorgi, já grande benfeitor
da Paróquia, decidiu assumir o ônus da conclusão e do acabamento
da Igreja. Neste relato, necessariamente sucinto, não cabem maiores
detalhes sobre o desenvolvimento dos trabalhos, nem sobre os percalços
inevitáveis em obras do gênero. Apesar das crises financeiras
que, nesse ínterim, surpreenderam o país, a construção logrou
chegar a termo, num período de tempo relativamente curto para
uma obra de tal monta.
Seria,
aqui, muito agradável, e de justiça, citar as generosas dedicações,
que permitiram levar a cabo este belo edifício sacro, a começar
pelo doador do terreno, o pranteado homem público, Brigadeiro
José Vicente de Faria Lima, e dos arquitetos que, graciosamente,
projetaram e acompanharam a construção de uma obra a que faz jus
e sua reconhecida competência. Os membros das várias comissões,
os doadores, conhecidos uns, anônimos outros, têm seus nomes inscritos
no livro da gratidão de Deus, o qual, pela intercessão dos Apóstolos
Pedro e Paulo, há de retribuir-lhes, na medida que só Ele conhece.
Esta Igreja já conseguiu ultrapassar as fronteiras do Brasil,
a ponto de os Grandes Mestres da Pintura contemporânea, Marc Chagall
e Salvador Dali, consultados pela Comissão, terem-se proposto
confeccionar-lhe os vitrais, reconhecendo o alto padrão arquitetônico
do edifício.
Estas
e outras obras de arte, destinadas a completar-lhe o conjunto
serão, com a ajuda e a generosidade dos fiéis, o coroamento desta
bela casa de Deus, em meio às casas dos homens. A arte foi sempre
um apanágio da Igreja, pois através dela, o homem descobre aquela
Beleza Antiga, fonte de toda beleza criada, de que falava Santo
Agostinho.
Os
paroquianos de São Pedro e São Paulo hão de fazer desta a sua
casa e buscar nela aquele alimento do espírito, que só a Fé e
o Amor podem proporcionar.
São
Paulo, 19 de dezembro de 1976 Padre José Griecco Pároco "
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