São
Pedro
No Novo
Testamento podemos encontrar ampla evidência de que Pedro foi o
primeiro em autoridade entre os apóstolos. Cada vez que os apóstolos
são nomeados, Pedro encabeça a lista (Mt 10,1-4; Mc 3,16-19; Lc
6,14-16; At 1,13); algumas vezes aparece somente "Pedro e aqueles
que estavam com ele" (Lc 9,32). Pedro era o primeiro que geralmente
falava em nome dos apóstolos (Mt 18,21; Mc 8,29; Lc 12,41; Jo 6,69),
e aparece em muitas cenas dramáticas (Mt 14,28-32; Mt 17,24, Mc
10,28).
Em
Pentecostes, Pedro foi o primeiro que predicou à multidão (At
2,14-40), e foi Pedro que realizou a primeira cura milagrosa na
nascente Igreja (At 3,6-7). Também foi a Pedro a quem veio a revelação
de que os Gentis foram batizados e aceitos como cristãos (At 10,46-48).
Sua
preeminente posição entre os apóstolos estava simbolizada no próprio
princípio de sua relação com Cristo. Em seu primeiro encontro,
Cristo disse a Simão que seu nome seria mudado para Pedro, que
é traduzido como Rocha (Jo 1,42). O fato é que - além da única
vez que Abraão é chamado "rocha" (Hebraico: sur; aramaico: Kefa)
em Isaías 51,1-2 - no Antigo Testamento somente Deus era chamado
de rocha. Na antigüidade, a palavra rocha não era usada como nome
próprio. Se você se dirige a um companheiro e lhe diz: "De agora
em diante teu nome é Aspargo", as pessoas se surpreenderão. Por
que Aspargo? Qual é a intenção disto? Que é que isto significa?
Então, por que chamar "Rocha" a Simão, o pescador? Cristo não
estava fazendo isto sem sentido, e tampouco os judeus, quando
davam um nome. Dar um novo nome é mudar a situação da pessoa,
como quando o nome de Abrão foi mudado a Abraão (Gn 17,5), o de
Jacó a Israel (Gn 32,28), o de Eliaquim a Joaquim (2Rs 23,34),
os nomes dos quatro jovens hebreus - Daniel, Ananias Misael e
Azarias - para Baltazar, Sidrak, Misak e Abdênago (Dn 1,6-8).
Mas nenhum judeu tinha sido chamado de Rocha. Os judeus davam
outros nomes tomados da natureza, como Barak ("relâmpago", Jz
4,6), Débora ("abelha", Gn 35,8) e Raquel ("ovelha", Gn 29,16),
mas não Rocha.
No
Novo Testamento, Tiago e João foram chamados por Cristo com o
sobrenome de Boanerges, que significa "Filhos do Trovão", mas
este nome nunca foi regularmente usado no lugar de seu nome original,
e certamente não era tomado como um novo nome. Mas no caso de
Simão-bar-Jonas, seu novo nome Kefas (em grego: Petrus) definitivamente
substituiu o nome velho. Como se deram as coisas Não somente foi
significante para Simão receber um novo e inusual nome, mas também
foi importante o lugar onde Jesus solenemente mudou seu nome para
Pedro. Isto sucedeu quando "Jesus veio à cidade de Cesaréia de
Filipo" (Mt 16,13), uma cidade que Felipe, o Tetrarca, construiu
em honra de César Augusto, que tinha morrido no ano 14 d.C. A
cidade estava situada perto das cascatas do rio Jordão e perto
de um gigantesco muro de rocha de cerca de 60 metros de altura
e 150 metros de largura, que é parte da parte sul do Monte Hermon.
A cidade não existe atualmente, mas suas ruínas estão próximas
a Banias, uma pequena cidade árabe, e na base do muro de rocha
pode ser encontrada a sua esquerda um dos afluentes que alimentam
o Jordão. Foi aqui onde Jesus se dirigiu a Simão e lhe disse:
"Tu és Pedro" (Mt 16,18).
O
significado deste fato ficou bem claro aos outros apóstolos. Como
judeus devotos, eles sabiam que o lugar era verdadeiramente importante
para o que estava sendo feito - mudar o nome de Simão. Ninguém
acusou Simão por ter recebido somente ele esta honra, e no resto
do Novo Testamento é chamado por seu novo nome, enquanto Tiago
e João continuaram se chamando Tiago e João, e não Boanerges.
Promessas a Pedro Quando Ele encontrou pela primeira vez Simão,
"Jesus lhe fixou o olhar, e disse, 'tu és Simão, o filho de João?
Chamar-te-ás Kefas (que significa Pedro)'" (Jo 1,42). A palavra
"Kefas" em grego é meramente a tradução literal da palavra "Kefas"
em aramaico. Então, depois que Pedro e os outros discípulos estavam
com Cristo, eles regressaram outra vez a Cesaréia de Filipo, onde
Pedro fez sua profissão de fé: "Tu és o Cristo, o Filho de Deus
Vivo" (Mt 16,16). Jesus lhe disse que aquilo era uma verdade especialmente
revelada a ele e então solenemente reiterou: "E eu te digo: tu
és Pedro" (Mt 16,18). E a isto acrescentou a promessa de fundar
a Igreja, de algum modo, fundada sobre Pedro (Mt 16,18).
Então duas coisas muito importantes foram dadas aos apóstolos:
"Tudo o que ates na terra, será atado no céu, e tudo o que desates
na terra, será desatado nos céus" (Mt 16,19). Aqui, Pedro foi
distinguindo com a autoridade de perdoar os pecados e elaborar
as regras disciplinares. Logo os apóstolos receberam similar poder,
mas, neste caso, particularmente aqui recebe Pedro de modo singular.
Também foi somente a Pedro que foi prometido: "Dar-te-ei as chaves
do Reino dos Céus" (Mt 16,19). Naqueles tempos, a chave era sinal
de autoridade. Uma cidade cercada de muralhas tinha uma grande
porta, e essa porta tinha uma grande fechadura que funcionava
com uma grande chave. Dar a chave da cidade (uma honra que ainda
existe hoje em dia, ainda que não haja portas) é também dar livre
acesso e autoridade sobre a cidade. A cidade da qual Pedro estava
recebendo a chave era nada mais e nada menos que a própria Cidade
Celestial. Este mesmo simbolismo para a autoridade é usado em
outra parte da Bíblia (Is 22,22; Ap 1,18). Finalmente, após a
Ressurreição, Jesus apareceu para os seus discípulos e perguntou
três vezes a Pedro: "Tu me amas?" (Jo 21,15-17). Em arrependimento
por suas três negações, Pedro fez uma tríplice afirmação de amor.
Então, Cristo, o Bom Pastor (Jo 10,11.14), deu a Pedro a autoridade
que havia prometido: "Apascenta as minhas ovelhas" (Jo 21,17).
Isto especificamente incluía os outros apóstolos, já que Jesus
perguntou a Pedro, "Tu me amas mais do que estes?" (Jo 21,15)
- a palavra "estes" se refere aos outros apóstolos que estavam
presentes (Jo 21,2) -. Isto aconteceu para que se cumprisse a
profecia feita antes de Jesus e seus discípulos estarem pela última
vez no Monte das Oliveiras. Antes de sua negação Jesus disse a
Pedro: "Simão, Simão, eis que Satanás pediu insistentemente para
vos peneirar como trigo; eu, porém, orei por ti, a fim de que
tua fé não desfaleça. Quando, porém, te converteres, [depois de
sua negação] confirma teus irmãos." (Lc 22,31s). Foi por Pedro
que Cristo rezou para que não lhe faltasse a fé e para que fosse
o guia dos outros, e sua oração, sendo perfeitamente eficaz, seria
cumprida certamente. Quem é a rocha? Voltemos nossa atenção para
o verso-chave: "Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha
Igreja" (Mt 16,18).
A
discussão sobre este verso sempre se voltou para o significado
da palavra "pedra" ou "rocha". A quem Jesus se refere? Visto que
o novo nome de Simão, Pedro, por si só significa "rocha", a frase
pode ser reescrita como "Tu és Rocha e sobre esta rocha edificarei
minha Igreja". O jogo de palavras é óbvio, mas muitos comentaristas,
desejando evitar o que segue (a instituição do papado), têm insinuado
que a palavra rocha não pode referir-se a Pedro, mas sim à sua
profissão de fé ou ao próprio Cristo. Do ponto de vista gramatical,
a frase "esta rocha" deve referir-se ao substantivo mais próximo.
A profissão de fé de Pedro ("Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo"),
é feita a dois versículos do termo em análise, enquanto que seu
nome, um nome próprio, está precedendo imediatamente a cláusula.
Consideremos como analogia esta paráfrase: "Eu tenho um carro
e um caminhão, e este é azul." Qual é o azul? O caminhão, porque
é o substantivo mais próximo ao pronome "este". Tudo isto seria
mais claro se a referência ao carro fosse a duas frases da que
contém o adjetivo "azul", como a referência à profissão de fé
de Pedro está a duas frases do termo "rocha". Outra alternativa
O mesmo tipo de argumentação considera que a palavra rocha pode
fazer referência ao próprio Cristo, já que ele está mencionado
na profissão de fé. O fato de que em outra parte da Escritura,
em uma metáfora diferente, Cristo seja chamado "pedra angular"
(Ef 2,20; 1Pe 2,4-8) não desaprova que aqui a fundação seja Pedro.
Naturalmente, Cristo é o principal e, já que ele está regressando
aos céus, a invisível fundação da Igreja que ele estabelecerá,
Pedro é nomeado por ele como o secundário, porque ele e seus sucessores
permanecerão sobre a terra, a visível fundação. Pedro pode ser
a fundação somente porque Cristo é o Primeiro.
Consideremos
outra analogia: Às vezes pedimos a nossos amigos que rezem por
nós e oramos por eles. Nossas orações pedem a Deus especial ajuda
para um e outro. Que estamos fazendo quando rezamos? Estamos agindo
como mediadores, como intercessores. Estamos suplicando a Deus
em favor de outro. Seria isto contra a declaração de Paulo que
Cristo é o único mediador (1Tm 2,5)? Não, porque nossa mediação
é inteiramente secundária e depende da mediação de Cristo. Ele
é o único Deus-Homem, a única pessoa que é ponte entre Deus e
o homem, mas nossa intercessão por outra pessoa não interfere
na mediação de Cristo. Na realidade, nos quatro versos anteriores
a 1Tm 2,5, Paulo manda os cristãos orarem uns pelos outros. Cristo
poderia ter estabelecido sua mediação da forma que quisesse, mas
decidiu que nós também participaríamos quando Ele próprio nos
mandou rezar uns pelos outros (Mt 5,44; 1Tm 2,14; Rm 15,30; At
12,50). Assim, como pode haver intercessores secundários e um
principal, também pode haver uma fundação secundária e uma principal.
Um olhar para o Aramaico Os que se opõe à interpretação católica
de Mt 16,18 algumas vezes argumentam que no texto grego o nome
do apóstolo é "Petros", enquanto "rocha" é traduzida como "pedra"
(petra). Eles dizem que a primeira palavra (petros) significa
uma pequena pedra e que a segunda (petra) é uma grande massa de
rocha, então, se Pedro foi pensado para ser uma grande rocha,
por que seu nome não é "Petra"? Mas, observe que Cristo não falou
para os seus discípulos em grego. Ele falou em aramaico, uma linguagem
popular na Palestina de então.
Nessa
língua a palavra para "rocha" era "Kepha", que é a utilizada por
Jesus em sua linguagem comum (repare que em Jo 1,42 Ele disse:
"chamar-te-ás Cefas"). O que Jesus disse em Mt 16,18 foi isto:
"Tu és Kepha, e sobre esta kepha edificarei minha Igreja." Quando
o evangelho segundo São Mateus foi traduzido do aramaico original
para o grego surgiu um problema que o evangelista não enfrentou
quando compôs este compêndio da vida de Cristo. Em aramaico, a
palavra kepha tinha o mesmo sentido final para se referir a uma
grande rocha ou a um nome pessoal masculino. Em grego, a palavra
para traduzir rocha, petra, é do gênero feminino. O tradutor poderia
usá-la na segunda vez em que aparece a palavra na oração, mas
não na primeira porque seria inapropriado dar a um homem um nome
feminino. Por isso o tradutor pôs um final masculino nele, e este
foi Petros.
Além disso, a premissa do argumento contra Pedro como rocha é
simplesmente equivocada, pois no século primeiro as palavras gregas
"petros" e "petra" eram sinônimos. Possuíram o significado de
"pequena pedra" e "rocha grande", respectivamente, nos primórdios
da poesia grega, mas no século primeiro essa distinção já havia
se perdido, assim admitem alguns protestantes estudiosos da Bíblia
(Ver os comentários de D. A. Carson em, "Expositor's Bible Commentary"
[Grand Rapids: Zondervan Books]). Alguns dos efeitos do jogo de
palavras de Cristo perderam-se na tradução do aramaico para o
grego, mas foi o melhor que pôde ser feito em grego. Em inglês,
como em aramaico, não existem problemas com as finais, porque
na tradução para o inglês poderia ser lido: "Tu és Rocha, e sobre
esta rocha edificarei minha Igreja". [Pode-se dizer o mesmo em
português. Assim como em aramaico, a frase não gera nenhuma confusão,
tal como se lê na tradução hoje em dia: "Tu és Pedro (nome próprio
masculino que significa pedra), e sobre esta pedra (substantivo
comum que faz referência ao substantivo próprio anterior) edificarei
minha Igreja." Nota do tradutor.]
Considerando
outro ponto de vista; se a palavra rocha se refere diretamente
a Cristo (como dizem alguns anticatólicos, baseando-se em 1Cor
10,4 "e essa rocha era Cristo" - ainda que a rocha fosse literalmente
uma rocha física que viajava com os israelitas no deserto durante
o êxodo; cf. Ex 17,6; Nm 20,8), por que Mateus deixou a passagem
como estava? No aramaico original, e no inglês que é mais parecido
com o aramaico do que o grego, a passagem é clara. Mateus acreditava
que seus leitores entenderiam o óbvio sentido de "Pedro ... pedra".
Se Mateus referia-se a Cristo como a rocha, por que não o fez
claramente? Por que deu a oportunidade e deixou Paulo escrever
esclarecendo o texto (pressupondo, naturalmente, que 1 Coríntios
foi escrito depois do evangelho segundo Mateus, e se foi primeiro,
por que não escreveu para esclarecer o assunto?).? A razão, certamente,
é que Mateus sabia muito bem que a frase queria dizer o que realmente
está dizendo. E foi Simão, fraco como era, o escolhido para ser
a rocha, o primeiro elo na cadeira do papado.
São
Paulo
Seu
nascimento e sua educação
De São Paulo mesmo sabemos que nasceu em Tarso, em Silícia (Atos,
xxi, 39), de um pai que era cidadão romano (Atos, xxii, 26-28;
cf. xvi, 37), no seio de uma família na qual a piedade era hereditária
(II Tim., i, 3) e muito ligada às tradições e observâncias fariséias
(Fil., iii, 5-6). São Jerônimo nos diz, não se sabe com que razões,
que seus pais eram nativos de Gischala, uma pequena cidade da
Galiléia e que o levaram a Tarso cuando Gischala foi tomada pelos
romanos ("De vir. ill.", v; "In epist. ad Fil.", 23). Este último
detalhe é certamente um anacronismo mas as origens galiléias da
família não são em absoluto improváveis. Dado que pertencia à
tribo de Benjamin, lhe deram o nome de Saul (ou Saulo) que era
comum nesta tribo em memória do primeiro rei dos judios. (Fil.,
iii, 5). Enquanto cidadão romano também levava o nome latino Paulo.
Para os judios daquele tempo era bastante usual ter dois nomes,
um hebreu e outro latino ou grego entre os quais existia com frequência
uma certa consonância e que justapunham no modo usado por São
Lucas (Atos, xiii, 9: Saulos ho kai Paulos). Ver neste ponto Deissmann,
"Bible Studies" (Edinburgh, 1903, 313-17.) Foi natural que, ao
inaugurar seu apostolado entre os gentios, Paulo usasse seu nome
romano, especialmente porque o nome de Saulo tinha um significado
vergonhoso em grego. Posto que todo judeu que se respeitasse havia
de ensinar a seu filho um ofício, o jovem Saulo aprendeu a fazer
tendas de lona (Atos, xviii, 3) ou melhor dito a fazer a lona
das tendas (cf. Lewin, "Life of St. Paul", I, London, 1874, 8-9).
Era ainda muito jovem quando foi enviado a Jerusalém para receber
uma boa educação na escola de Gamaliel (Atos, xxii, 3). Parte
de sua família residia provavelmente na cidade santa visto que
mais tarde se faria menção de uma irmã cujo filho lhe salvaria
a vida (Atos, xxiii, 16). A partir deste momento resulta imposível
seguir sua pista até que tomou parte no martírio de Santo Estevão
(Atos, vii, 58-60; xxii, 20). Nesse momento o qualificam de "jovem"
(neanias), mas esta era uma apelação elástica que poderia aplicarse
a qualquer entre vinte e quarenta anos.
Conversão
e primeiras empresas
Lemos nos atos dos apóstolos três relatos da conversão de São
Paulo. (ix, 1-19; xxii, 3-21; xxvi, 9-23) que apresentam ligeiras
diferenças que não são difíceis de harmonizar e que não afetam
nada a base do relato, perfeitamente idêntica em substância. Verse
J. Massie, "The Conversion of St. Paul" em "The Expositor", 3ª
série, X, 1889, 241-62. Sabatier de acordo com os críticos mais
independentes disse (L'Apotre Paul, 1896, 42): "Estas diferenças
não podem em absoluto alterar o fato, o objeto narrado é extremamente
remoto não tratam nem sequer das circunstâncias que rodearam o
milagre mas sim com as impressões subjetivas que os compañeros
de São Paulo receberam nessas circunstâncias…" Utilizar essas
diferenças para negar o caráter histórico do fato é fazer violência
ao texto adotando uma atitude arbitrária. Todos os esforços feitos
para explicar a conversão de São Paulo sem recorrer ao milagre
fracassaram. As explicações naturalísticas se reduzem a duas:
ou São Paulo creu verdaderamente ver a Cristo enquanto sofria
uma alucinação ou creu vê-lo somente através de uma visão espiritual
que a tradição, recolhida nos Atos dos Apóstolos, converteu logo
em visão material. Renan explica tudo por uma alucinação devida
à doença, e causada por uma combinação de causas morais como a
dúvida, o remorso, o temor, e algumas causas físicas como a oftalmía,
a fadiga, a febre, a transição rápida do deserto tórrido para
os jardins frescos de Damasco, quem sabe em meio a uma tormenta
repentina acompanhada de raios e relâmpagos. Esta combinação múltipla
teria produzido, segundo Renan, uma comoção cerebral com fase
de delírio que São Paulo tomou de boa fé como aparição de Cristo.
Os outros partidários da explicação natural evitam a palavra alucinação
mas caem, cedo ou tarde, na explicação de Renan a qual fazem mais
complicada. Por exemplo Holsten, para o qual a visão de Cristo
é simplesmente a conclusão de uma série de silogismos pelos quais
Paulo se persuadiu a si mesmo de que Cristo havia verdadeiramente
ressuscitado. Também Pfleiderer, para quem a imaginação desempenha
um papel mais importante: "Um temperamento nervoso, alterável;
uma alma violentamente agitada pelas mais terríveis dúvidas; uma
fantasia do mais vívido, cheia das terribles cenas de perseguição
por um lado, e por otro com a imagem ideal do Cristo celeste;
a proximidade de Damasco que implicava a urgência da decisão,
a intransigência que leva à solidão, o calor cegante e dolorosíssimo
do deserto. De fato, tudo isso combinado, produziu um estado de
êxtase no qual a alma pensa ver as imagens e os conceitos que
violentamente a agitam como se fossem fenômenos do mundo externo"
(Lectures on the influence of the Apostle Paul on the development
of Christianity, 1897, 43). Citamos Pfleiderer palavra por palavra
porque sua explicação "psicológica" se considera a melhor que
já se desenvolveu E no entanto, se vê fácilmente que é insuficiente
e inclusive totalmente contraditória com o o documento escrito
dos Atos como com o próprio testemunho expresso de São Paulo.
(1) Paulo está seguro de ter "visto" a Cristo como o fizeram outros
apóstolos (I Cor., xi,1); ele mesmo declara que Cristo lhe "apareceu"
(I Cor., xv, 8) como a Pedro, Tiago ou aos doze depois da sua
ressurreição. (2) Ele sabe bem que sua conversão não é fruto de
nenhum raciocínio humano, mas de uma mudança imprevista, repentina
e radical devido à graça onipotente (Gal., i, 12-15; I Cor., xv,
10). (3) É falso atribuir dúvidas, perplexidades ou remordimentos
antes de sua conversão. Paulo foi detido por Cristo quando sua
fúria alcanzava o mais alto estágio (Atos, ix, 1-2); perseguia
à Igreja "com ciúme" (Fil., iii, 6), e foi merecedor da graça
porque atuou com "ignorância em sua crença de boa fé" (I Tim.,
i, 13). Todas as explicações sociológicas ou não, carecem de valor
ante estas afirmações, já que todos supõem que a causa de sua
conversão foi sua fé em Cristo enquanto que, segundo os testemunhos
concordantes dos Atos e das Epístolas, foi a visão de Cristo o
que motivou a sua fé. Depois da sua conversão, batismo e de sua
cura milagrosa Paulo começou a predicar aos judeus (Atos, ix,
19-20). Depois se retirou a Arábia, provavelmente à região sul
de Damasco. (Ga, i, 17), induvidavelmente mais para meditar as
escrituras que para predicar. Em seu retorno a Damasco, as intrigas
dos judeus o obrigaram a fugir de noite (II Cor., xi, 32-33; Atos,
ix, 23-25). Foi a Jersusalém a ver a Pedro (Ga, 1, 18), mas ficou
somente quinze dias porque as ciladas dos gregos ameaçavam a sua
vida. A continuação passou a Tarso e lá fica cego por seus anos
(Atos, ix, 29-30; Ga, i, 21). Barnabé foi em sua busca e o trouxe
a Antioquia donde trabalharam juntos durante um ano com um apostolado
frutífero. (Atos, xi, 25-26). Também juntos foram enviados a Jerusalém
a levar as esmolas para os irmãos de lá com ocasião do período
de fome antecipada por Agabo (Atos, xi, 27-30). Não parecen ter
encontrado aos apóstolos aí desta vez, já que se encontravam dispersos
por causa da perseguição de Herodes.
Os
trabalhos apostólicos de Paulo
Este período de doze anos (45 - 57) foi o mais frutífero e ativo
da sua vida. Compreende três expedições apostólicas das quais
Antioquia foi sempre o ponto de partida e que, invariavelmente,
terminaram com uma visita a Jerusalém. (1)Primeira missão (Atos
dos apóstolos, xiii, 1-xiv, 27) Enviado pelo Espírito Santo para
a evangelização dos gentios, Barnabé e Saulo embarcaram com destino
a Chipre, predicaram na sinagoga de Salamina, cruzaram a ilha
de leste a oeste seguindo sem dúvida a costa sul e chegaram a
Pafos, residência do pró-cônsul Sérgio Paulo onde uma mudança
repentina ocorreu. Depois da conversão do pró-cônsul romano, Saulo,
repentinamente convertido em Paulo, é citado por São Lucas antes
de Barnabé e assume notávelmente a liderança da missão que até
então vinha sendo exercida por Barnabé. Os resultados desta mudança
são rápidos e evidentes. Paulo compreende que al depender Chipre
da Síria e Silícia, a ilha inteira seria convertida quando as
duas províncias romanas abraçassem a fé de Cristo. Escolheu então
a Ásia Menor como campo de seu apostolado e embarcou em Perge
de Panfília, onze kilômetros acima do porto de Cestro. Foi quando
João Marcos, primo de Barnabé, desanimado talvez pelos ambiciosos
projetos do apóstolo, abandonou a expedição e voltou à Jerusalém,
enquanto Paulo e Barnabé trabalhavam sozinhos entre as árduas
montanhas de Psídia, infestadas de bandidos e atravessaram profundos
precipícios. Seu destino era a colônia romana de Antioquia, situada
a sete dias de viagem de Perge. Aqui, Paulo falou sobre o destino
divino de Israel e do envio providencial do Messias, um discursso
que São Lucas reproduz em substância como exemplo de uma predicação
na sinagoga. (Atos, xiii, 16-41). A estância dos dois missionários
en Antioquia foi longa o bastante para que a palavra do Senhor
fosse conhecida através de todo país. (Atos, xiii, 49). Quando
os judeus conseguiram com suas intrigas um decreto de desterro,
prosseguiram rumo a Icônio, distante três ou quatro dias de viagem,
onde encontraram a mesma perseguição de parte dos judeus e a mesma
acolhida de parte dos gentios. A hostilidade dos judeus os forçou
a buscar refúgio na colônia romana de Listra, há aproximadamente
25 kilômetros de distância. Aqui os judeus armaram ciladas para
Paulo e, após apedrejá-lo o deixaram como morto, enquanto ele
conseguia uma vez mais escapar buscando desta vez refúgio em Derbe,
situada por volta de 60 kilômetros da província da Galácia. Depois
de completar seu circuito, os missionários voltaram sobre seus
passos para visitar aos novos cristianos, ordenaram alguns sacerdotes
em cada uma das Igrejas fundadas por eles e depois voltaram à
Perge, onde se detiveram a predicar novamente o Evangelho, enquanto
esperavam embarcar a Atalia, um porto a dezoito kilômetros de
lá. Ao regressar à Antioquia de Síria, depois de uma ausência
que durou três anos, foram recebidos com mostras de gozo e ação
de graças porque Deus lhes havia aberto as portas da fé ao mundo
dos gentios. O problema do estatuto dos gentios na Igreja começou
a sentir-se então em toda sua magnitude. Alguns cristãos de origem
judia que vinham de Jerusalém reclamaram que os gentios deveriam
ser submetidos à circuncisão e tratados como os judeus tratavam
aos prosélitos. Contra esta opinião, Paulo e Barnabé protestaram
e se decidiu convocar uma reunião em Jerusalém para resolver o
assunto. Nesta assembléia, Paulo e Barnabé representaram a comunidade
de Antioquia. Pedro defendeu a liberdade dos gentios, Santiago
insistiu no contrário, pedindo ao mesmo tempo que se abstivessem
de algumas das coisas que mais horrorizavam aos judeus. Ao fim
se decidiu que os gentios estavam isentos da lei de Moisés primeiramente.
Em segundo lugar, que os cristãos da Síria e Silícia deveriam
abster-se de tudo que fosse sacrificado aos ídolos, do sangue,
dos animais e da fornicação. Em terceiro lugar, que sua decisão
não era promulgada em virtude da Lei de Moisés mas dada em nome
do Espírito Santo, o que signidicava o triunfo das idéias de São
Paulo. A restrição imposta aos gentios convertidos procedentes
da Síria e da Silícia não se aplicava às suas Igrejas e Tito,
seu companheiro, não foi apremiado a circuncisar-se, apesar dos
protestos dos judaizantes (Ga, ii, 3-4). Aqui se assume que Ga
2 e At 15, relata o mesmo fato posto que, de um lado, os protagonistas
são os mesmos Paulo e Barnabé, e por outro Pedro e Tiago; a discussão
é a mesma, a questão da circuncisão dos gentios; a cena idêntica
à de Antioquia e Jerusalém, e a mesma data: por volta do ano 50
d.C.; e apenas um só resultado: a vitória de Paulo sobre os judaizantes.
Entretanto a decisão não saiu adiante sem dificuldades. O assunto
não dizia respeito somente aos gentios e, enquanto que estes eram
exonerados da Lei de Moisés, se declarava que ao mesmo tempo sería
mais meritório e mais perfeito que eles a observassem, dado que
o decreto parece ter comprazido aos judeus prosélitos de segunda
geração. Além disto os cristãos de origem judia, não haviam sido
incluídos no veredito, podiam seguir sendo considerados como ligados
devido à observância da lei. Esta foi a origem da disputa que
surgiu imediatamente depois em Antioquia entre Pedro e Paulo.
Este último esinou abertamente que a lei tinha sido abolida para
os próprios judeus. Pedro não pensava de outro modo, porém considerou
oportuno evitar a ofensa aos judaizantes e assim impedí-los que
comessem com os gentios que não observassem a as cláusulas da
lei. Assim, influenciou moralmente aos gentios a viver como viviam
os judeus, Paulo fez ver que esta restrição mental e este oportunismo
preparavam o caminho de futuros mal-entendidos e conflitos , e
que, inclusive, tinha então, e tería nefastas conseqüências. Sua
forma de relatar estes incidentes não deixa a menor dúvida de
que Pedro foi persuadido por seus argumentos. (Ga, ii, 11-20).
(2) Segunda missão (Atos, xv, 36-xviii, 22) O princípio da segunda
missão se caracterizou por uma discussão a propósito de Marcos,
que Paulo rechaçou como compaheiro de viagem. Assim pois, Barnabé
partiu com Marcos de Chipre e Paulo escolheu a Silas ou Silvano,
un cidadão romano como ele e membro influente da Igreja de Jerusalém,
e partiu para Antioquia a fim de levar o decreto do conselho apostólico.
Os dois missionários foram primerio de Antioquia a Tarso, com
um alto no caminho para promulgar o decreto do primeiro Concílio
de Jerusalém, e logo foram de Tarso a Derbe através das portas
da Silícia, dos desfiladeiros de Tarso e das planícies de Licaônia.
A visita às igrejas fundadas na primeira missão se realizou sem
incidentes se não é a propósito da eleição de Timóteo, que os
apóstolos em Listra persuadiram para que se circunsisassem para
melhor chegar às colônias de judeus, abundantes nesta área. Foi
provavelmente em Antioquia de Psídia, por mais que os Atos não
mencionem tal lugar, onde o itinerário da missão foi mudado pela
intervenção do Espíritu Santo. Paulo pensou em entrar na província
da Ásia pelo vale de Meandro, o qual permitiria un só dia de viagem,
e no entanto, passaram através da Frígia e da Galácia pois o Espíritu
lhes proibiu a predicar a palavra de Deus na Ásia (Atos, xvi,
6). Estas palavras (ten phrygian kai Galatiken choran) podem ser
interpretadas de diversas maneiras, dependendo se faz referência
aos Gálatas do norte ou do sul (veja GÁLATAS). Seja como for,
os missionários tiveram que viajar até o norte na região da Galácia
chamada assim em propriedade e cuja capital era Pesinonte, e a
única questão pendente era se predicavam aí ou não. Não pensavam
em fazê-lo embora saibamos que a evangelização dos Gálatas foi
devida a um acidente, o da doença de São Paulo (Ga, iv, 13); o
que encaixa muito bem se nos referimos aos gálatas do norte. Em
todo caso, os missionários depois de alcançar a Misia Superior
(kata Mysian), tentaram chegar à rica província de Bitinia, que
se extendia diante deles mas o Espíritu Santo os impediu (Atos,
xvi, 7). Assim atravessaram Misia sem parar para predicar (parelthontes)
e chegaram à Alexandria de Trôade, onde a vontade de Deus lhes
foi revelada pela visão de um macedônio que os chamava pedindo
auxílio para seu país. Paulo continuou a utilizar sobre solo europeu
os métodos de predicação que tinha utilizado desde o princípio.
Até onde foi possível concentrou seus esforços em metrópoles desde
as quais a fé se extenderia até cidades de menos destaque e, finalmente
às áreas rurais. Onde encontrava uma sinagoga, começava a predicar
nela aos judeus e aos prosélitos que estavam dispostos a escutá-lo.
Quando a ruptura com os judeus era irreparável, o que ocorreria
más cedo ou mais tarde, fundava uma nova igreja com seus neófitos
como núcleo. Permanecia então na mesma cidade a não ser que uma
perseguição se desatasse, normalmente por causa das intrigas dos
judeus. Existiam, entretanto, algumas variantes do plano. Em Filipo,
onde não havia sinagoga, a primeira prédica ocorreu em um posto
chamado proseuche o que fez com que os gentios tomassem o fato
como motivo de perseguição. Paulo e Silas, acusados de alterar
a ordem pública, receberam golpes de paus, foram jogados em uma
prisão e logo exilados. Porém em Tessalônica, e Beréia, onde se
refugiaram depois de estar em Filipo, as coisas saíram conforme
o plano previsto. O apostolado de Atenas foi absolutamente excepcional.
Aqui não havia o problema dos judeus ou da sinagoga, e Paulo,
em contra do seu costume, estava só. (I Thes., iii, 1). Pronunciou
um discurso diante do areópago do qual se conserva um resumo nos
Atos dos Apóstolos (xvii, 23-31) como modelo em seu gênero. Parece
ter deixado a cidade de grado, sem ter sido forçado por causa
de uma perseguição. A missão de Corinto, por outro lado, pode
ser considerada como típica. Paulo predicou na sinagoga todos
os sábados e quando a oposição violenta dos judeus atentaram contra
ele em vão; foi capaz de resistir graças à atitude, pelo menos
imparcial, do pró-cônsul Galio. Finalmente, decidiu ir-se a Jerusalém
de acordo com um voto feito talvez em um momento de perigo. Desde
Jerusalém, de acordo com seu costume, voltou à Antioquia. As duas
epístolas aos tessalonicenses se escreveram durantre os primeiros
meses da estadia em Corinto. Veja TESSALONICENSES. (3) TERCEIRA
missão (Atos, xviii, 23-xxi,26) O destino da teceira viagem de
Paulo foi evidentemente Éfeso, onde Aquila e Priscila o esperavam.
Ele tinha prometido aos efésios voltar para evangelizá-los si
tal fosse a vontade de Deus (Atos, xviii, 19-21) e o Espírito
Santo não se opôs mais à sua entrada em Ásia. Assim, depois de
uma breve visita a Antioquia foi-se através da Galácia e da Frígia
(Atos, xviii, 23) e passando através das regiões da "Ásia Central"
chegou à Éfeso (XIX, 1). Sua maneira de proceder permaneceu intacta.
Para pover seu sustento e não ser uma carga para os fiéis, teceu
todos os dias durante muitas horas muitas tendas, o que não o
impediu de predicar o Evangelho. Como de costume, começou na sinagoga
onde teve êxito durante os primeiros meses. Depois ensinou diariamente
em uma sala colocada à sua disposição por um tal Tirano "desde
a hora quinta até a décima" (das onze da manhã às quatro da tarde)
de acordo com a tradição interessante do "Codex Bezaar"(Atos,
xix, 9). Assim viveu dois anos de tal forma que os habitantes
da Ásia, judeus e gregos, ouviram a palavra de Deus. (Atos, XIX,
20). Claro que houveram provações e obstáculos que superar. Alguns
destes obstáculos surgiram da inveja dos judeus, que tentaram
inútilmente imitar os exorcismos de Paulo, outros vinham da superstição
dos pagãos, particularmente acentuada em Éfeso. Entretanto, triunfou
de modo tão claro que os livros de superstição que foram queimados
tinham o valor de 50.000 moedas de prata (uma moeda correspondia
aproximadamente a um dia de trabalho). Desta vez, a perseguição
foi devida aos gentios e por motivos interessados. Os progressos
do cristianismo arruinaram a venda das pequenas reproduções do
templo de Diana e as da própria deusa, estatuetas muito compradas
pelos peregrinos, e um certo Demétrio, a frente dos artesãos,
incitou a plebe en contra de São Paulo. São Lucas descreveu com
realismo e emoção a cena, levada em seguida ao teatro. (Atos,
xix, 23-40). O apóstolo teve que render-se à tormenta. Depois
de uma estância de dois anos e meio, ou talvez mais, em Éfeso
(Atos, xx, 31: treitian), partiu para a Macedônia e de lá para
Corinto, onde passou o inverno. Sua intenção era de seguir rumo
à Jerusalém na primavera, sem dúvida para passar a Páscoa, mas
ao saber que os judeus haviam planejado atentar contra sua vida,
não lhes deu oportunidade de concretizá-lo por viajar por mar,
regressando à Macedônia. Muitos discípulos, divididos em dois
grupos, o acompanharam ou o esperaram em Trôade. Entre outros
se encontravam Soprater de Beréia, Aristarco e Segundo de Tessalônica,
Gayo de Derbe, Timóteo, Tíquico e Trófimo de Ásia e finalmente
Lucas, o historiador dos Atos, nos da todos os detalhes da viagem:
Filipo, Trôade, Assos, Mitiline, Jíos, Samos, Mileto, Cos, Rodas,
Pátara, Tiro, Ptolemaida, Cesaréia e Jerusalém. Poderíamos citar
ainda três fatos notáveis: em Trôade Pablo ressuscitou ao jovem
Êutico que havia caído da janela de um terceiro piso enquanto
Paulo predicava sendo a noite já avançada. Em Mileto pronunciou
um discurso emotivo que arrancou as lágrimas aos anciãos de Éfeso.
(Atos, xx, 18-38). Em Cesaréia o Espírito Santo antecipa pela
boca de Agabo que seria preso, fato que não o fez desistir de
ir a Jerusalém. Quatro das maiores epístolas de São Paulo foram
escritas durante esta terceira missão: a primeira aos Coríntios
desde Éfeso, por volt da Páscoa antes de sua saída da cidade;
a segunda aos coríntios desde Macedônia durante o verão ou outono
do mesmo ano; aos romanos desde Corinto na primavera seguinte;
a data da epístola aos gálatas é objeto de controvérsia. Das muitas
questões a propósito da ocasião ou da linguagem das cartas ou
da situação dos destinatários das mesmas, veja CORÍNTIOS, EPÍSTOLA
AOS; GÁLATAS, ESPÍSTOLA AOS; ROMANOS, EPÍSTOLA AOS.
O
cativeiro (Atos, xxi, 27-XXVIII,31)
Quando os judeus acusaram em falso a Paulo de ter introduzido
no templo os gentios, a multidão maltratou a Paulo, e, coberto
de correntes, o jurista Lisias o mandou à prisão da fortaleza
Antonia. Quando ele soube que os judeus haviam conspirado para
matar ao prisiononeiro, o enviou sob forte escolta à Cesaréia,
que era a residência do procurador Félix. Paulo não teve dificuildade
para esclarecer as contradições dos que o acusavam mas, ao negar-se
a comprar sua liberdade, Félix o manteve algemado durante dois
anos e inclusive o jogou na prisão para dar gosto aos judeus em
espera do do seu sucessor, o procurador Festo. O novo governador
quis enviar o prisioneiro à Jerusalém para que fosse julgado na
presença dos seus acusadores, porém Paulo, que conhecia perfeitamente
as artimanhas dos seus inimigos, apelou a César. Em conseqüência,
esta causa só podia ser despachada em Roma. Este período de cativeiro
se caracteriza por cinco discursos do Apóstolo: o primeiro foi
pronunciado em hebreu nas escadas da fortaleza Antonia ante uma
ameaçadora multidão; Paulo relatou sua vocação e sua conversão
ao apostolado, porém foi interrompido pelos gritos hostis da multidão
(Atos, xxii, 1-22). No segudo, ao dia seguinte ante o sinédrio
reunido sob a presidência de Lisias, o apóstolo dissuadiu hábilmente
os fariseus contra os saduceus e não se pôde levar adiante nenhuma
acusação. O terceiro foi a resposta ao acusador Tértulo em presença
do governador Félix; nesta ocasião provou que os fatos não haviam
sido manipulados, provando assim sua inocência. (Atos, xxiv, 10-21).
O quarto discurso é uma simles explicação resumida da fé cristã
ante o governador Festo, o rei Agripa e sua mulher Berenice, repete
uma vez mais a história de sua conversão e ficou sem terminar
devido às interrupções sarc Ásticas do governador e a atitude
irritada do rei (Atos, xxvi). A viagem do prisioneiro Paulo de
Cesaréia a Roma foi descrita por São Lucas com vivas cores e uma
precisão que não deixam nada a desejar. Podem ser vistos os comentários
de Smith, "Voyage and Shipwreck of St. Paul" (1866); Ramsay, "St.
Paul the Traveller and Roman Citizen" (London, 1908).. O centurião
Júlio enviou o prisioneiro Paulo e outros prisioneiros em um navio
mercante no qual Lucas e Aristarco pudessem obter passagem. Já
que a estação se encontrava distante, a viagem foi lenta e difícil.
Passaram pela costa de Síria, Cilícia e Panfília. Em Mira de Lícia
os prisioneiros foram transferidos a uma embarcação que se dirigia
a Itália, porém uns ventos contrários persistentes os empurraram
até um porto de Chipre chamado Bom-Porto, alcançado inclusive
com muita dificuldade e Paulo aconselhou que passassem o inverno
aí, mas sua opinião foi rejeitada e o barco ficou à deriva sem
rumo por quatorze dias terminando nas costas de Malta. Durante
os três meses seguintes a navegação foi considerada muito perigosa,
assim não saíram do seu lugar, mas com a chegada da primavera
se apressaram a prosseguir a viagem. Paulo devia chegar a Roma
algum dia de março. "Ficou dois anos comletos em uma casa alugada...
predicando o Reino de Deus e a fé em Jesus Cristo com toda confiança,
sem proibição" (Atos, xxviii, 30-31). E, com estas palavras, conclui
o livro dos Atos dos Apóstolos. Não cabe dúvidad de que São Paulo
terminou sendo aboslvido em seu julgamento; já que (1) o informe
d governador Festo, assim como o do centurião foram favoráveis;
e que (2) os judeus parecem ter abandonado a acusação posto que
seus partidfários não pareciam estar informados (Atos, xxviii,
21); e que (3) o rumo tomado pelo procedimento judicial lhe deixou
alguns períodos de libertade, dos que falou como coisa certa (Fil,
i, 25; ii, 24; Philem., 22); e que (4) as cartas pastorais (supondo
que sejam autênticas) implicam um período de atividade de Paulo
seguido da sua prisão. E se chega à mesma conclusão na hipótese
segundo a qual não são autênticas, já que todas elas coincidem
em que o autor conhecia bem a vida do apóstolo. Unânimamente se
aceita que as "epístolas do cativeiro" foram enviadas desde Roma.
Alguns autores tentaram provar que São Paulo as escreveu durante
sua detenção em Cesaréia, mas poucos autores os seguiram. A epístola
aos colossenses, aos efésios e a Filemon foram enviadas juntas
e utilizando o mesmo menssageiro: Tíquico. É controverso se a
epístola aos filipensses foi anterior ou posterior a estas últimas
e a questão não foi jamais resolvida com argumentos incontrovertíveis
(ver FILIPENSSES, EPÍSTOLA A LOS; EFÉSIOS, EPÍSTOLA A LOS; COLOSSENSES,
EPÍSTOLA A LOS; FILEMON, EPÍSTOLA A).
Os
últimos anos
Dado que este período carece da documentação dos Atos, está envolvido
na mais completa obscuridade; nossas únicas fontes são algumas
tradições disperssas e as citas disperssas das epístolas. Paulo
quis passar pela Espanha desde muito tempo antes (Rom., xv, 24,
28) e não há provas de que mudaria seu plano. Já no fim do seu
cativeiro, quando anuncia sua chegada a Filemon (22) e aos Filipenses
(ii, 23-24), não parece considerar esta visita como iminente,
dado que compromete aos filipenses enviar-lhes um mensageiro cuando
esteja concluído o seu julgamento e, portanto, ele preparava outra
viagem antes do seu retorno ao oriente. Sem necessidade de citar
os testemunhos de São Cirilo de Jerusalém, são Epifanio, São Jerônimo,
São Crisóstomo e teodoreto diremos finalemtne que el testemunho
de São Clemente de Roma, bem conhecido, o testemunho do "Canon
Muratorio", e a "Acta Pauli" fazem mais que provável a viagem
de Paulo à Espanha. Em todo caso não pôde permanecer muito tempo
por lá, devido à sua pressa por visitar outras Igrejas do leste.
Pôde entretanto voltar à Espanha através da Gália, como pensaram
alguns padres, e não à Galácia, aonde Crescêncio foi enviado mais
tarde. (II Tim., iv, 10). É verossímil que, depois, chegaria a
cumprir sua promessa de visitar seu amigo Filemon e que, en tal
ocasião, visitaria as Igrejas do vale de Licaônia, Laodicéia,
Colossos, e Hierápolis. A partir deste momento o itinerário se
torna sumamente incerto por mais que os seguintes acontecimentos
parecem estar indicados nas epístolas pastorais: Paulo permaneceu
em Creto o tempo necessa'rio para fundar novas Igrejas, cujo cuidado
e organização deixou nas mãos do seu colega Tito (Tit., i, 5).
Foi depois a Éfeso e rogou a Timóteo, que já estava lá, que permaneceria
aí até seu regresso enquanto Paulo se dirigia à Macedônia (I Tim.,
i, 3). Nesta ocasião visitou, como havia prometido, aos filipensses
(Fil., ii, 24), e , naturalmente, também passou a ver os tessalonicensesalonicensses.
A carta a Tito e a primeira epístola a Timóteo devem datar deste
período; parece que foram escritas ao mesmo tempo aproximadamente,
pouco depois de ter deixado a Éfeso. A questão é saber se foram
enviadas desde Macedônia ou desde Corinto, como parece ser mais
provável. O Apóstolo instrui a Tito para que se reuna com ele
em Nicópolis de Epiro donde pensa passar o verão (Titus, iii,
12). Na primavera seguinte deve ter cumprido seu plano de volta
a Ásia (I Tim, iii, 14-15). Aqui ocorreu o obscuro episódio da
sua prisão, que provávelmente ocorreu em Trôade; isso explicaría
o fato de ter deixado uns livros e roupas que necessitou depois
(II Tim., ib, 13). De lá foi a Éfeso, capital da proovincia de
Ásia, onde o abandonaram todos aqueles que ele pensava que lhe
haviam sido fiéis (II Tim., i, 15). Enviado a Roma para ser julgado,
deixou a Trófimo doente em Mileto e a Erasto, outr dos seus companheiros,
que permaneceram em Corinto por razões nunca esclarecidas (II
Tim., iv, 20). Quando Paulo escreveu sua segunda epístola a Timóteo
desde Roma, acreditava que toda esperanza humana estava perdida
(iv, 6).; nela pede a seu discípulo que venha ver-lhe o mais rápido
possível, porque estava apenas com Lucas. Não sabemos se Timóteo
foi capaz de ir a Roma antes da morte do Apóstolo. Uma antiga
tradição torna possível estabelecer os seguintes pontos: (1) Paulo
sofreu o martírio cerca a Roma na praça chamada Aquae Salviae
(hoje Piazza Tre Fontane), um pouco ao oeste da Via Ostia, cerca
de três quilômetros da explêndida basílica de São Paulo Extra
Muros, lugar onde foi enterrado. (2) O martírio ocorreu no fim
do reinado de Nero, no décimo segundo ano (São Epifanio), no décimo
terceiro (Eutalio), ou no décimo quarto (São Jerônimo). (3) De
acordo com a opinião mais comum, Paulo sofreu o martírio no mesmo
dia do mesmo ano que Pedro; alguns padres latinos disputam se
foi o mesmo dia mas não do mesmo ano; a testemunha más antiga,
São Dionisio o Corinto, disse somente Kata ton auton Kairon, o
que pode ser traduzido por "ao mesmo tempo" ou "aproximadamente
ao mesmo tempo". (4) Durante tempo imemorável, a solenidade dos
apóstolos Pedro e Paulo se celebra no dia 29 de Junho, que é o
aniversário, seja da morte, seja do traslado de suas relíquias.
O Papa ía antigamente com seus acompanhantes a São Paulo Extra
Muros depois de celebrar em São Pedro, ainda que a distância entre
as duas basílicas (aprox. oito quilômetros) fazia a cerimônia
cansativa, particularmente nesta época do ano. Assim surgiu o
costume de transferir ao dia seguinte (30 de junho) a comemoração
de São Paulo. A festa da conversão de São Paulo (25 de janeiro)
tem origem comparativamente recente. Há razões para crer que este
dia foi celebrado para marcar o traslado das relíquias de São
Paulo a Roma, posto que assim aparece no Martirologio Hieronimiano.
Esta festa é desconhecida na igreja grega (Dowden, "The Church
Year and Kalendar", Cambridge, 1910, 69; cf. Duchesne, "Origines
du culte chrétien", Paris 198, 265-72; McClure, "Christian Workship",
London, 1903, 277-81).
Basílica
de São Pedro
Na
solenidade de São Pedro e São Paulo celebra-se também a festa
da Basílica que leva o nome do Primeiro Papa, em honra à enorme
devoção rendida desde os primeiros cristãos. A Basílica de São
Pedro é o maior templo da cristandade. Encontra-se situada à margem
direita do Tiber, dentro da Cidade do Vaticano. A Basílica primitiva
- com cinco naves e consagrada no ano de 326 - foi construída
pelo desejo de Constantino sobre o túmulo do Apóstolo. São Pedro
converteu-se rapidamente em um dos lugares preferidos pelos romanos,
que mesmo antes do fim do império, no ano de 476, começaram a
se estabelecer nos arredores, onde aproveitaram os antigos e gloriosos
restos do império romano. Os fiéis acudiam a São Pedro para venerar
as sagradas relíquias guardadas no templo: o corpo do apóstolo,
o de sua filha Petronila, os restos mortais de alguns de seus
discípulos, um fragmento da cruz e, sobretudo, a célebre Verônica,
o véu onde ficou gravado o rosto de Jesus. Em 1289, o Papa Nicolau
IV enumerou as relíquias da Basílica mencionando, primeiramente,
a Verônica e, depois, o corpo do Apóstolo. A importância concedida
pelo pontífice a Verônica explica-se porque esta representava
a autêntica imagem do rosto de Jesus e recolhia também as pequenas
partículas deixadas na terra por seu corpo, em memória de seu
sacrifício pelos homens. Durante os Jubileus, a Verônica era exposta
publicamente todas as sextas-feiras e quando celebrava-se uma
festa solene. No transcorrer do tempo, São Pedro enriqueceu-se
com novos relicários, como também com uma profusão de decorações
de estilo bizantino, românico e gótico. Entre os anos de 1100
e 1200, a fachada do templo e seu interior foram decorados com
afrescos e mosaicos. Em 1330, Giotto e outros artistas de sua
escola realizaram o mosaico da nave lateral e o políptico do altar
maior. No entanto, durante os anos seguintes descuidou-se da basílica
e esta correu o risco de ver-se reduzida a um monte de ruínas.
Em meados do séc. XV, o Papa Nicolau V decidiu reestruturá-la
e confiou tal tarefa (1452) a Bernardo Rosselino. Após o falecimento
do pontífice, no ano de 1455, as obras foram interrompidas quase
por completo até o período do Papa Julio II, que as colocou nas
mãos de Bramante. Este recebeu o título de mestre das ruínas ao
demolir por completo a antiga igreja e a construção edificada
por Rosselino. Em 18 de abril de 1506, pôs-se em marcha a construção
da nova basílica, concebida por Bramante com um planta em forma
de cruz grega e uma grande cúpula central; no entanto, até a sua
morte, em 1514, só havia conseguido edificar os quatro pilares
centrais com seus relativos arcos de união. Estes últimos condicionaram
todas as sucessivas intervenções. Rafael foi o encarregado de
prosseguir com os trabalhos. Deixou de lado a arquitetura central
de Bramante e pôs em marcha um majestoso projeto com uma planta
em forma de cruz latina. Rafael faleceu em 1520, mas sua obra
foi continuada por Antonio de Sangallo. A partir de 1547, as obras
passaram a estar sob a direção de Miguelangelo Buonarotti, que
voltou a adotar a concepção de planta central de Bramante ao imaginar
a basílica como um templo ilhado no meio de uma praça. À morte
de Miguelangelo, quase havia sido terminado o cúpula sobre a qual
Giacomo della Porta e Domenico Fontana ergueram (1588-1589) a
grande cúpula concebida por Buonarroti. A partir de 1607, Carlo
Maderno completou definitivamente a obra, transformando, por desejo
de Paulo V, a planta de cruz grega em outra de cruz latina na
qual acrescentou três arcadas e o pórtico da entrada e realizou
a fachada. Terminada em 1612, a basílica foi consagrada por Urbano
VIII no ano de 1626. Atualmente, tem uma extensão de 186 metros,
uma superfície de 15.160 metros quadrados, e a altura de sua cúpula
é de 119 metros. Deve ser destacado, ainda assim, o baldaquino
de bronze com as quatro maravilhosas colunas em espiral, obra
também de Bernini, a Pietá, de Miguelangelo e cinco portas que
se somam à fachada sob a galeria das Benções. Uma cruz designa
essa Porta Santa. Essa mesma Porta Santa que foi aberta com uma
solene cerimônia no Grande Jubileu de 2000.
Festa
de São Pedro e São Paulo
Tão distante como o século quarto se celebrava uma festa em memória
dos Santos Pedro e Paulo no mesmo dia, ainda que o dia não fosse
o mesmo no Oriente e em Roma. O Martirológio Sírio de finais do
século quarto, que é um extrato e um Catálogo Grego de santos
da Ásia Menor, indica as seguintes festas em conexão com o Natal
(25 de dezembro): 26 de dezembro Santo Estêvão, 27 de dezembro
São Tiago e São João; 28 de dezembro São Pedro e São Paulo. A
festa principal dos Santos Pedro e Paulo foi mantida em Roma em
29 de junho desde o século terceiro ou quarto. A lista de festas
de mártires no Cronógrafo de Filócalo coloca esta nota na data
- "III. Kal. Jul. Petri in Catacumbas et Pauli Ostiense Tusco
et Basso Cose". (= o ano 258). O "Martyrologium Hieronyminanum"
tem, no Berne MS., a seguinte nota para o dia 29 de junho: "Romae
via Aurelia natale sanctorum Apostolorum Petri et Pauli, Petri
in Vaticano, Paulo in via Ostiensi utrumque in catacumbas, passi
sub Nerone, Basso et Tusco consulibus" (ed. De Rossi - Duchesne,
84). A data 258 nas notas revela que a partir desse ano se celebrava
a memória dos dois Apóstolos em 29 de junho na Via Apia ad Catacumbas
(perto de São Sebastião fuori le mura), pois nesta data os restos
dos Apóstolos foram trasladados para o local descrito acima. Mais
tarde, talvez com a construção da Igreja sobre as tumbas no Vaticano
e na Via Ostiensi, os restos foram restituídos a seu anterior
descanso: os de Pedro na Basílica Vaticana e os de Paulo na Igreja
na Via Ostiensi. No local Ad Catacumbas foi construído, tão longínquo
como no século IV, uma igreja em honra aos dois Apóstolos. Desde
o ano 258 guardou-se a festa principal em 29 de junho, data em
que desde tempos antigos celebrava-se os Serviço Divino solene
nas três igrejas acima mencionadas (Duchesne, "Origenes du culte
Chretien", 5o ed., Paris, 1909, 271s, 283s, Urbano, "Ein Martyrologium
der christl. Gemeinde zu Rom an Anfang des 5. Jahrh", Leipzig,
1901, 169s; Kellner, "Heortologie", 3o ed., Freiburg, 1911, 210s.).
A lenda procurou explicar que os Apóstolos ocupassem temporariamente
o sepulcro Ad Catacumbas mediante a suposição que, em seguida
da morte deles os Cristãos o Oriente desejassem roubar seus restos
e levá-los para o Leste. Toda esta história é, evidentemente,
produto da lenda popular. Uma terceira festividade dos Apóstolos
tem lugar em 1 de agosto: a festa das Correntes de São Pedro.
Esta festa era originalmente a de dedicação da igreja do Apóstolo,
erigida na Colina Esquilina no século IV. Um sacerdote titular
da Igreja, Filipo, foi delegado papal ao Concílio de Éfeso no
ano 431. A igreja foi reconstruída por Sixto II (432) às custas
da família imperial Bizantina. A consagração solene pode ter sido
em 1o de agosto, ou este foi o dia da dedicação da igreja anterior.
Talvez este dia foi escolhido para substituir as festas pagãs
que se realizavam em 1o de agosto. Nesta igreja, ainda de pé (S.
Pedro em Vincoli), provavelmente se preservaram desde o século
quarto das correntes de São Pedro que eram muito grandemente veneradas,
sendo considerados como relíquias apreciadas os pequenos pedaços
de seu metal. De tal modo, a igreja desde muito antigamente recebeu
o nome in Vinculis, convertendo-se a festa de 1o de agosto na
festas das correntes de São Pedro (Duchesne, op. Cit. , 286s;
Kellner, loc, cit., 216s.). A memória de ambos Pedro e Paulo foi
mais tarde relacionada com os lugares da antiga Roma: a Via Sacra,
nas proximidades do Foro, onde se dizia que foi atirado ao solo
o mago Simão diante da oração de Pedro e a cárcere de Tullianum,
ou Cárcere Mamertinus, onde se supõe que foram mantidos aos Apóstolos
até sua execução. Também em ambos lugares foram erigidos santuários
dos Apóstolos e da cárcere Mamertina ainda permanece em quase
seu estados original desde a longínqua época Romana. Estas comemorações
locais dos Apóstolos estão baseadas em lendas e não há celebrações
especiais nas duas igrejas. Entretanto, não é impossível que Pedro
e Paulo tenham sido confinados na prisão principal de Roma na
fonte do Capitólio, da qual fica como um resto a atual Cárcere
Mamertinus.
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